A Despedida – 6º Domingo da Páscoa – 21/05/2017

Igreja celebra nos próximos dias duas grandes festas: ASCENSÃO e PENTECOSTES. As Leituras bíblicas refletem sobre os dois fatos: A Ascensão: com o discurso da Despedida. O Pentecostes: com a promessa do Espírito Santo… e a Imposição das mãos dos apóstolos.

404ce-espiritu-santo

PALAVRA – Evangelho segundo S. João 14,15-21. 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele». 

MENSAGEM – A Igreja celebra nos próximos dias duas grandes festas: ASCENSÃO e PENTECOSTES. As Leituras bíblicas refletem sobre os dois fatos: A Ascensão: com o discurso da Despedida. O Pentecostes: com a promessa do Espírito Santo… e a Imposição das mãos dos apóstolos. A Liturgia nos mostra que Deus está presente na sua Igreja, pelo Espírito Santo, mesmo depois da volta de Jesus ao Pai. O Batismo é completado pela Unção com o óleo do Crisma e pela imposição das mãos do Bispo, no sacramento da Confirmação. É o momento em que recebemos a Plenitude do Espírito Santo. Para uma comunidade se constituir de fato como Igreja, não basta uma aceitação isolada e independente da Palavra, mas é convidada a viver a sua fé em comunhão com toda a Igreja.

O Evangelho faz parte do discurso da DESPEDIDA de Jesus. É o testamento que o mestre deixa à Comunidade antes de partir. (Jo 14,15-21) Os discípulos se mostram abalados e tristes… Jesus os anima, declarando que não os deixará órfãos no mundo. Ele vai ao Pai, mas vai encontrar um modo de continuar presente e de acompanhar a caminhada dos seus discípulos. É uma alusão à sua volta invisível, mas real, mediante o Espírito Santo, que o substituirá junto aos discípulos e permanecerá sempre com eles e com toda a Igreja. É a possibilidade de viver em intensa comunhão com o Pai e o Filho, pelo Espírito da Verdade, que nos é dado como dom da Páscoa. Para isso, é preciso um amor autêntico,

que se manifesta na observância dos Mandamentos: “Quem me ama… guarda os meus mandamentos…” Só quem vive esse amor está apto a receber o Espírito Santo. O amor supera o medo, a separação e a morte… Jesus fala de “Os MEUS Mandamentos…”: Não se trata dos 10 Mandamentos, pois já existiam no Antigo Testamento… Pouco antes, Jesus resumira toda a Lei e os Profetas em “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como ele nos amou” Consequências desse amor vivenciado dos Mandamentos:  Merece receber o Espírito Santo: “Ele vos dará o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber”. É alguém amado pelo Pai…: “Ele será amado pelo Pai…” Torna-se capaz de perceber a manifestação de Cristo: “Eu o amarei e me revelarei a ele…” Sobretudo, torna-se MORADA DE DEUS: “Viremos a ele e faremos nele morada…”  A Comunidade cristã será então a presença de Deus no mundo: Ela e cada membro dela se converterão em Morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na Comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo. Esse “caminho” proposto por Jesus para muitos parece um caminho de fracasso, que não conduz nem à riqueza, nem ao poder, nem ao êxito social, nem ao bem estar material. Parece não dar sabor à vida dos homens do nosso tempo. No entanto, Jesus garante que é nessa identificação com Cristo e nesse “caminho” do amor e da entrega, que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva. Jesus promete aos discípulos o envio de um “defensor”, de um “intercessor”, que irá animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua história. A Comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Espírito, é o “Templo de Deus”, o lugar onde Deus habita no meio dos homens. Através dela, o Deus libertador continua a concretizar o seu plano de salvação. Procuremos viver intensamente essa presença de Cristo, no meio de nós, agora na Eucaristia e depois no amor vivenciado com os irmãos! O Espírito Santo não pode continuar sendo o “ilustre desconhecido”! Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa – 21.05.2017